
as mulheres andam na rua vestidas.
deitam-se. à noite antes disso despem-se.
nuas escrevem com os dedos
uma linguagem impenetrável.
lêem-se com um fósforo. às
vezes apagam-se. os lençóis ao
invés tornam a pele morena. a delas.
a nossa. a da vida. ao invés do
sol acordam de noite. quentes. amo
as mulheres.
poema de José-Alberto Marques in Estórias de Coisas
