quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Quando eu chorei Colares


Quando eu chorei Colares, já estava deitada, contigo ao meu lado.
Estive por lá ao fim de algum...muito tempo. Um final de férias magnífico em que me permiti olhar de novo para a rua em que muito brinquei, olhar o espaço em que me movi, voltar ao tempo em que cresci feliz, no tempo quente e na humidade fria da serra de Sintra e que envolve Colares. Estive por ali pouco tempo, o suficiente para notar todas as diferenças, poucas, ainda que evidentes. Olhei o portão por onde tantas vezes entrei e saí a pé ou de bicicleta, ora com risos e gargalhadas, ora com lágrimas e tristezas infantis das que parecem infinitas quando sentidas, mas tão efémeras quanto o que as originou.
E a minha tia Helena, a minha cuidadora, naquele instante, em que o meu olhar fixou o portão da casa, que já não me pertence, mas que será sempre minha, surgiu na minha cabeça, no mesmo instante em que o pensamento não pára e promove a associação triste de que, a ausência da minha casa com a vida que tinha durante a minha infância, é exactamente igual à ausência que tenho da minha tia na minha vida com a vida que ela própria tinha. Invadida que fui por tanta lembrança, incluindo a do dia em que despejei junto com a mana, o espólio da casa, e em seguida me convenci que fazia o que tinha de ser feito, da melhor forma que naquela altura podia fazer, por não reunir condições para mais, voltei ao carro e enquanto tudo isto corria no meu pensamento, eu falava contigo e explicava-te toda a minha rua em que muito brinquei, orgulhosa que estava e feliz me sentia.
Ali e aqui fui e sou feliz.
Chorei finalmente Colares, no final do dia já deitada, contigo ao meu lado.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

No meu sonho....

Nunca mais o teu olhar me invadiria o pensamento. Nunca mais te iria ver atenta a tudo o que dizia e ao que não dizia também. Nunca mais as tuas gargalhadas deitariam por terra todas as minha argumentações. E nunca, nunca mais, as tuas mãos me amariam o corpo, e me entrelaçariam a alma. Porque contigo era amor e eu sabia. A despedida. A certeza de um fim naquele instante. E a dor. A imensa dor dentro de mim.
Esta noite sonhei que morrias e a primeira coisa que fiz ao acordar foi dizer-te o quanto gosto de ti....

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A Insustentável Leveza do Ser

"O paradoxo do amor é que a sua ausência é absoluta, infinita e inescapável mas a sua posse não."

Milan Kundera adaptado


A vida é sempre um rascunho de si mesma, nunca é vivida por inteiro,
o amor esse, pode ser frágil e impossível de se repetir.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mais Alma que Corpo

Hoje sinto-me mais alma que corpo.
Hoje e hoje de novo, sentida que estou depois de tudo. Sentida por sentir, arrasada por me deixar sentir. Quero o dia seguinte, e os outros a seguir também. Hoje sinto-me fraca, incapaz, e desprovida de capacidade para capazmente me renovar, por isso quero o dia seguinte e os outros a seguir também, porque talvez esses me permitam de novo sentir, um sentir bom e confiante. Hoje oiço o meu «coração grande» que me diz baixinho mas firme: «Amanhã é outro dia...» E por isso eu sei que vou de novo ter dentro de mim, tudo o que sempre tenho e que me permite de todas as formas abraçar as coisas boas, vibrar com elas e partilha-lhas, e me permite também esmagar as menos boas, expulsa-las, resolve-las, ou simplesmente ignora-las.
Hoje sinto-me mais alma que corpo.

domingo, 14 de junho de 2009

Alma e Corpo

Olha para mim, olhos nos olhos. Permite-te o prazer e não receias a culpa. Entrega-te e entrega-me. Eleva-me, corteja-me, devora-me. Pulsa por mim. Incendeia o peito, rasga a alma, arrasa o meu intimo e não te limites a belisca-lo, dá-lhe um tremendo, intenso e empenhado abraço, um abraço que permita o embrulho, de tal forma que depois, e só depois de desembrulhado lhe reste a memória, porque ela resulta de quando tudo se entranha. Marca-me, sente-me e pede-me o mesmo. Enche a alma por algo que valha a pena, e depois segue o teu caminho se assim quiseres, mas convicta de que valeu a pena.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Avessos Assumidos

É essa a pretensão sem mais rodeios. De dentro para fora. Os Avessos Assumidos, ausentes, presentes, doridos, sentidos, aliviados, cansados, perdidos, encontrados, secos, molhados, chorados e ridos.